Meu Diário

Contradições Humanas…

Publicada por admin em 24/09/2008 - 09:00:46 - Arquivada em Minha Historia

O Brasil no séc. XVI, os portugueses a fim de fixar da colônia, precisaram trazer pessoas para povoar, tais pessoas eram, de acordo com Faoro (1984), as sobras da Índia, os inadequados à jornada, famintos de terras e cobiçosos de fortuna imediata, seduzidos pela enganadora visão do paraíso terrestre.
Eram distribuídas feitorias, que agiria de acordo com os interesses da metrópole, servindo de “agência de distribuição de terras, de cobrança de tributos, cumulado o poder administrativo com as funções bancárias” (FAORO, 1984: p.115). Quem organizaria essa grande empresa seriam os burocratas, aproximados aos interesses da coroa, fidalgos pertencentes à classe portuguesa, os soldados experientes leais ao Rei. Foi aí que começou a estabelecer as esferas públicas e privadas no Brasil
Eram distribuídas capitanias, no qual só admitia pessoas poderosas economicamente, o que configurava uma iniciativa particular. “Este círculo necessariamente aberto à iniciativa particular, insistia-se, torna-se admissível como uma concessão real.” (FAORO, 1984.p.116). Tal organização era assim, pois a coroa portuguesa devia mais do que conseguia lucrar, todos os excedentes iam para pagar os financiamentos local e estrangeiro e as expedições ultramarinas.

A capitania seria um estabelecimento militar e econômico, voltado para a defesa externa e para o incremento de atividades capazes de estimular o comércio português. A autoridade pública se constitui, armadura prévia, sempre que haja produtos a exportar e plantações a fixar. (FAORO, 1984: p117)

Tais capitanias, cujos chefes tinham o título de capitão-mor, obedeciam aos interesses da metrópole, cada capitão tinha direito de criar suas leis, distribuir as terras, e etc., porém ele agia em nome do Rei, tendo de obedecer a suas leis. A coroa não confiou tal cargo a pessoas que só pensavam no lucro; em homens de empresa, eram selecionadas pessoas próximas à coroa, pois só assim estava garantida a segurança do lucro à metrópole. Era um papel que se tratava de uma competência pública.

Tudo volta às origens, dentro de uma estrutura secular: os navios que trouxeram os donatários e os colonos não trouxeram um povo que transmigra, mas funcionários que comandam e guerreiam, obreiros de uma empresa comercial, cuja cabeça ficou nas praias de Lisboa. Os capitães fundavam vilas, para agregar num núcleo de vigilância as atividades comerciais e estruturar o interesse fiscal. O controle da arrecadação tributária cabia, em algumas capitanias, ao governador, e, nas mais numerosas, segundo o molde rígido do reino, a funcionários de Lisboa, o feitor ou almoxarife, o provedor e o contratador. Soma-se a essas preocupações a da defesa, defesa contra o corsário e o indígena, interesse, em última análise, redutível ao fisco e ao negócio. As vilas se criavam antes da povoação, a organização administrativa precedia ao afluxo das populações. Prática que é modelo da ação do estamento, repetida no Império e na República: a criação da realidade pela lei, pelo regulamento. A economia, a sociedade se amoldarão ao abstrato império das ordens régias – em lugar do ajustamento, em troca de concessões, o soberano corrigirá as distorções com a espada, a sentença e a punição. (FAORO, 1984: p.120)

Façamos agora uma comparação à colonização Inglesa na América no Norte. Os Ingleses foram à América fugir das misérias européias, fugir das perseguições religiosas, recuperar-se das frustrações da Irlanda. Não admitiam a centralização do poder, nem mesmo a exploração da terra com o único intuito: o lucro desenfreado da metrópole sem o cuidado da população colonial.
Ao contrário dos Portugueses, o inglês trouxe suas mulheres, para firmar na terra e iniciar uma nova civilização, não tinha a intenção de estender o Estado metropolitano Inglês. Houve também a escravidão e a dizimação dos nativos. “O inglês fundou na América uma pátria, o português um prolongamento do Estado.” (FAORO, 1984: p.122).
É certo que o estado em que nos encontramos, essa situação colonizada da realidade, tanto econômica quanto cultural vem dessa herança. O que não torna a antiga colônia norte americana a melhor de todas, se antes eles queriam fugir das misérias, hoje é a miséria que os fazem pátria.

Contradições humanas.

“O homem guiado pela ética é o melhor dos animais; quando sem ela, é o pior de todos.”
(Aristóteles, 384 - 322 a.C.).

alice.gif

Colonização casamenteira

Publicada por admin em 2/08/2008 - 18:49:40 - Arquivada em Minha Historia

Segundo alguns textos que andei lendo, historiadores comparavam a forma como o Brasil foi colonizado com o feudalismo europeu, que ao meu entender é incorreto fazer tal comparação. Dizer que no Brasil houve uma regressão ao feudalismo é incorreta, pois a Europa já tinha passado por uma fase feudal, porém o Brasil era uma terra virgem, são sofre regressão de um lugar que nunca existiu tal característica de formação. Os portugueses utilizaram a terra do Brasil para expandir o comércio europeu e não iniciar um comércio brasileiro.
Nas duas primeiras décadas do século XVI o cultivo do açúcar passou por uma crise, pois havia uma superprodução no mercado Português, houve então a expedição para o interior do Brasil de Martim Afonso de Sousa, onde o maior interesse não foi fundar povoamento para seus homens viverem “felizes para sempre”, mas fundar povoamentos para garantir a defesa de território.

A colonização foi obra do Estado, como as capitanias representaram delegação pública de poderes, sem exclusão da realeza. Na verdade, o açúcar aparece palidamente nos preparativos e debates acerca da colonização. (FAORO, 1984: p. 109).

Nos livros didáticos é fácil notar as falsas “historinhas”, de que os portugueses vieram atrás do pau-brasil e somente isso, sabemos foi bem diferente. A coroa não só queria garantir a defesa da madeira tão cobiçada pelos franceses, mas também queria garantir sua “exploração e aproveitamento, o seu desenvolvimento econômico e a formação de uma nova sociedade.” (FAORO, 1984: p. 109).
Portanto a descoberta do Brasil, repito, não foi a mil maravilhas, ela se e encaixa no processo de evolução marítima de Portugal. O Brasil já tinha sido “visitado” por Portugueses liderados por Vasco da Gama e só não foi colonizada por falta de interesses da coroa, porém foi garantida sua existência. Foi no fim do século XVI e século XVII que o Brasil passa a ser a “menina dos olhos”, a terra digna da competição imperialista.
O modelo de colonização do Brasil foi mesmo usado nas Índias, o intuito era explorar economicamente, roubar-lhes as especiarias, escravizar os nativos, sugar tudo que se tem de direito. A colonização foi regida pela coroa, ela dizia como fazer a exploração social e econômica: “Primeiro, o pau-brasil e a defesa dos caminhos das Índias, depois o açúcar. No meio de tais empresas […] a visão das minas, já buscadas por Martim Afonso de Sousa” (FAORO, 1984: p. 110)
Diante dessa empresa colonizadora, da qual foram as capitanias hereditárias, é fácil fazer um perfil do que foi o Brasil na época seguindo o pensamento de Darcy Ribeiro quando ele diz no seu livro O Povo Brasileiro:

No plano econômico, o Brasil é produto da implantação e da interação de quatro ordens de ação empresarial, com distintas funções, variadas formas de recrutamento da mão-de-obra e diferentes graus de rentabilidade. (RIBEIRO, 1995: p.176)

É como se cada pedaço utilizado na colonização desse lucro à metrópole e em cada ato desses nascesse uma empresa sustentável. O escravismo; o tráfico negreiro; a terra para cultivo do açúcar, do café; a extração do pau-brasil, tudo um mercado muito lucrativo. Nunca uma terra pôde oferecer tantos mercados!
Os portugueses tinham um modo próprio para colonizar e garantir a posse de terras e riquezas. Era permitido casar com “gente baixa”, tudo pela missão colonizadora. Talvez tenha existido alguns homens que se apaixonaram por essas “cousas”, como as chamavam, mas se casar era mostrar “fidelidade” à coroa, além disso, era preciso torná-las cristãs, fazer consórcio para escolher qual seria a esposa e quais iriam para escravidão.
Estes eram instrumentos avassaladores, extremamente eficazes. O casamento submetia as nativas ao seu dono e a religião moldava essas “feras sem almas e moral” à condição civilizada. “‘Com pregação e armas’ ficava-se a conquista, com casamentos o povoamento florescia, assegurando a estabilidade da exploração comercial.” (FAORO, 1984: p.113).
O casamento não tinha a cerimônia como conhecemos hoje, ele era um estupro legalizado pelos homens de bem: os descobridores do novo mundo.

A aptidão portuguesa para os casamentos racialmente intencional promíscuos se dissolve num jogo de conveniências: a conveniência intencional do colonizador e a conveniência do soldado, que se transformava em colono, mediante auxílio público. A falta de mulheres portuguesas conjuga-se com a elevação de fortuna do conquistador e dos nativos. A matéria prima deste jogo era a ‘gente baixa’, gente sem fortuna e sem brasões, o súdito inerme nas mãos dos capitães. (FAORO, 1984: p.111)

alice.gif